Epigenética: podemos reprogramar a nossa mente?
Para Bruce Lipton, a epigenética traz uma mudança importante de paradigma: os genes não são o nosso destino. O ambiente e, sobretudo, a forma como o interpretamos influenciam a nossa biologia e a forma como os genes se expressam.
Mas existe uma questão ainda mais profunda: o que acontece quando as nossas perceções e crenças foram aprendidas há muitos anos e continuam a comandar a nossa vida sem termos consciência delas?
Segundo Lipton, grande parte destes programas é adquirida durante a infância e armazenada no subconsciente. É aí que entra a ideia de reprogramação da mente: identificar crenças e padrões automáticos que já não nos servem e criar novas formas de interpretar e responder às experiências.
Como isto pode aparecer na vida quotidiana?
“Não sou suficientemente boa.”
Uma pessoa que cresceu a receber críticas pode aprender a associar erro a rejeição. Na vida adulta, pode evitar desafios, oportunidades ou exposição, mesmo tendo capacidade para os enfrentar.
“Tenho de cuidar de toda a gente.”
Uma criança que aprendeu que o seu valor depende de agradar aos outros pode tornar-se um adulto que diz sempre “sim”, ultrapassa os próprios limites e sente culpa quando se coloca em primeiro lugar.
“O dinheiro nunca chega.”
Uma crença aprendida na família pode levar alguém a viver permanentemente em alerta, tomar decisões financeiras pelo medo e interpretar qualquer dificuldade como confirmação de que “nunca vai resultar”.
“Eu sou assim.”
Talvez seja uma das crenças mais limitadoras. Quando transformamos um comportamento aprendido numa identidade — “sou ansiosa”, “sou desorganizada”, “não tenho disciplina” — deixamos de perceber que comportamentos e respostas podem ser modificados.
Reprogramar não é simplesmente pensar positivo
É aqui que a proposta de Lipton se torna particularmente interessante. Não basta repetir conscientemente uma afirmação enquanto, num nível mais profundo, continuamos a acreditar no contrário.
A mudança passa por tomar consciência do programa, questioná-lo e criar novas experiências que permitam ao cérebro e ao organismo aprender uma resposta diferente.
Por exemplo:
“Tenho de agradar a toda a gente” pode transformar-se em “Posso cuidar dos outros sem deixar de cuidar de mim.”
Ou:
“Não sou capaz.” pode dar lugar a “Posso aprender, experimentar e desenvolver novas capacidades.”
É neste sentido que a ideia de reprogramação pode ser poderosa: não se trata de apagar o passado, mas de deixar de viver automaticamente a partir dele.
A investigação científica reconhece, de facto, que fatores ambientais como o stress podem estar associados a alterações epigenéticas e à regulação da expressão genética. No entanto, a ideia de que pensamentos ou crenças, por si só, podem “ligar e desligar” genes de forma direta e controlar a saúde é uma interpretação mais abrangente associada a Lipton e não deve ser confundida com um facto científico estabelecido.
Talvez a verdadeira liberdade começe quando percebemos que aquilo que aprendemos não tem necessariamente de continuar a comandar aquilo que somos.
Bruce Lipton
Defende que os nossos pensamentos, percepções e crenças, conscientes e subconscientes, podem influenciar a nossa biologia e reescrever o comportamento dos nossos genes, em vez de o ADN ser um projeto fixo que determina o nosso destino.

