A importância do aterramento.

Vivemos grande parte do tempo na cabeça: a pensar no que aconteceu, a antecipar o que pode acontecer, a responder a estímulos constantes. Aterramento é, de forma simples, o regresso ao momento presente, ao corpo, à respiração e ao que está realmente a acontecer agora.

Na perspetiva das práticas de desenvolvimento pessoal e transpessoais, o aterramento ajuda-nos a criar uma sensação de presença, estabilidade e ligação ao corpo, especialmente quando estamos emocionalmente sobrecarregados ou muito envolvidos nos nossos pensamentos.


O corpo como ponto de regresso

Quando estamos ansiosos ou sob pressão, podemos sentir que estamos “a mil à hora”: pensamentos acelerados, dificuldade em parar, tensão muscular, respiração superficial.

Trazer a atenção para o corpo pode ajudar a interromper este piloto automático.

Experimente:

Pare.
Sinta os pés no chão.

Respire.
Faça algumas respirações lentas, sem forçar.

Observe.
Repare em cinco coisas que vê, quatro que consegue tocar, três que ouve.

Sinta.
Pergunte: O que estou a sentir neste momento?

Volte.
Traga a atenção para aquilo que está a fazer, aqui e agora.

São pequenos gestos, mas podem criar um intervalo entre o estímulo e a resposta.


Aterramento não é fugir das emoções

Estar aterrado significa conseguir sentir sem ser completamente arrastado pelo que sentimos.

Imagine que recebe uma mensagem que o perturba. A reação automática pode ser responder imediatamente.

O aterramento cria alguns segundos de espaço:

Estou zangada. O meu corpo está tenso. Preciso de respirar antes de responder.

A emoção continua presente, mas já não conduz necessariamente a ação.

A ligação à natureza

Caminhar, estar descalço na relva, sentir a areia ou simplesmente passar alguns minutos junto ao mar são experiências que muitas pessoas associam a maior sensação de tranquilidade e presença.

É importante, contudo, distinguir esta experiência subjetiva das alegações de que o contacto físico com a Terra teria efeitos médicos específicos através de “eletrões” ou “energia terrestre”: essas afirmações não têm atualmente suporte científico robusto.

O benefício mais seguro está naquilo que estas experiências podem proporcionar: movimento, contacto com a natureza, pausa dos estímulos e atenção ao momento presente.


Um ritual de 3 minutos

Quando sentir que está demasiado “na cabeça”, experimente:

1 minuto — Corpo
Sinta os pés, as pernas, as mãos e a respiração.

1 minuto — Ambiente
Observe o que vê, ouve e sente à sua volta.

1 minuto — Intenção
Pergunte:

“O que preciso neste momento?”

Talvez seja respirar.
Talvez seja descansar.
Talvez seja estabelecer um limite.
Talvez seja simplesmente parar.

Aterramento é isso: voltar a si antes de voltar ao mundo.

E quanto mais aprendemos a regressar ao corpo e ao presente, mais facilmente podemos responder à vida com consciência, em vez de reagir automaticamente.


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