Deixar de fumar: quando a decisão de mudar encontra o subconsciente.

Deixar de fumar não é apenas eliminar um cigarro da rotina. Para muitas pessoas, significa quebrar um comportamento que se tornou automático e que pode estar associado a momentos, emoções, pessoas e formas de lidar com o stress.

O próprio manual distingue três padrões frequentes: o fumador por hábito, o fumador social e o fumador que recorre ao cigarro perante stress ou ansiedade.

É precisamente nesta dimensão comportamental e emocional que se centra o protocolo Deixar de Fumar através da Terapia Transpessoal.


O cigarro nem sempre é apenas um cigarro.

Para algumas pessoas, fumar acontece quase sem consciência:Depois de uma refeição, ao entrar no carro, durante uma pausa no trabalho, durante o café.
O comportamento fica associado a determinados momentos até se transformar numa resposta automática.

Para outras, o cigarro está sobretudo ligado ao contexto social: fumar para acompanhar amigos, integrar-se num grupo ou simplesmente porque os outros estão a fumar.

E há ainda quem utilize o cigarro como uma forma de gerir emoções:

“Preciso de fumar para me acalmar.”

Nestes casos, o cigarro pode funcionar como um alívio imediato perante tensão, preocupação ou ansiedade, criando um padrão difícil de interromper.

Perceber porque fumamos é uma parte importante de perceber como podemos deixar de fumar.


Uma sessão única para quem está verdadeiramente preparado.

O protocolo é estruturado como uma sessão única, dirigida ao trabalho com os padrões automáticos associados ao consumo de tabaco e ao reforço da decisão de mudança.

Na abordagem transpessoal, a sessão procura trabalhar não apenas a dimensão consciente: “eu quero deixar de fumar”,  mas também a relação mais profunda que a pessoa estabeleceu com o cigarro.

A experiência é particularmente positiva quando existe uma decisão consciente, verdadeira vontade de deixar de fumar e compromisso com a mudança.

O objetivo não é obrigar a pessoa a deixar de fumar. É ajudá-la a alinhar a sua decisão consciente com os padrões automáticos que sustentam o comportamento.

O próprio manual salienta que deixar de fumar envolve vontade e compromisso e que reconhecer a razão pela qual se fuma pode ajudar a escolher uma abordagem mais adequada.

O que pode mudar?

Quando o cigarro deixa de ocupar o lugar que tinha na vida da pessoa, os benefícios podem ser sentidos em várias dimensões:

Mais liberdade

  • Deixar de organizar o dia em função do próximo cigarro

  • Não precisar de sair de um espaço para fumar

  • Não ter de pensar se há cigarros suficientes

  • Recuperar a sensação de escolha

Cuidar da saúde

Deixar de fumar é uma das decisões mais importantes que uma pessoa pode tomar pela sua saúde. O tabagismo está associado a doenças cardiovasculares, respiratórias, diabetes tipo 2 e vários tipos de cancro.

Recuperar recursos

O dinheiro que diariamente é destinado ao tabaco pode passar a ser utilizado para algo que contribua para o bem-estar, para uma experiência, uma viagem ou simplesmente para uma maior tranquilidade financeira.

Sentir que recuperou o controlo

Talvez um dos ganhos mais importantes seja psicológico:

“Eu decidi e consegui.”

Para muitas pessoas, deixar de fumar representa também recuperar confiança na própria capacidade de mudar um comportamento que parecia impossível de abandonar.


E depois da sessão?

A sessão não termina necessariamente quando termina o encontro terapêutico.

É importante permitir que a experiência seja integrada e que a pessoa permaneça consciente da sua decisão. As primeiras 48 horas são particularmente importantes no protocolo, não podendo fumar durante esse período.

A vontade de fumar que possa surgir não deve ser automaticamente interpretada como sinal de insucesso. O processo de mudança pode acontecer de forma diferente para cada pessoa.

Após as 48 horas, a terapeuta avalia, em conjunto com o cliente e de acordo com o seu feedback e experiência, se existe necessidade de uma sessão de reforço.

Na experiência deste protocolo, quando a pessoa chega à sessão verdadeiramente preparada para deixar de fumar, muitas vezes a sessão única é suficiente e não é necessário reforço.


Não é uma questão de força de vontade

Talvez esta seja uma das ideias mais importantes.

Se já tentou deixar de fumar várias vezes, não significa necessariamente que lhe falte força de vontade.

Pode significar que o comportamento está associado a padrões automáticos, emocionais ou contextuais que ainda não foram trabalhados.

Um fumador por hábito precisa de reconhecer os momentos automáticos. Um fumador social pode precisar de trabalhar a associação entre fumar e pertença. Já quem fuma para gerir stress pode beneficiar de desenvolver novas formas de lidar com as emoções.

A Terapia Transpessoal permite olhar para estas diferentes dimensões e trabalhar a mudança de uma forma integrada.


A mudança começa por uma decisão. Nenhuma técnica substitui a vontade da própria pessoa. A sessão é o instrumento. A decisão é sua.


Este protocolo é uma abordagem complementar e não substitui aconselhamento médico. A dependência de nicotina pode envolver sintomas de abstinência e, quando necessário, deve ser acompanhada por um profissional de saúde. Os resultados variam de pessoa para pessoa e não podem ser garantidos.

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